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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O preço do crescimento



É, galera. Demorei, mas finalmente coloco aqui o primeiro de - espero, muitos - posts, cujo texto, diria nossa companheira, Karla Passeri, "tem a minha cara" (risos).

Como a aposentadoria de Ronaldo já é assunto ultrapassado, resolvi escolher dois casos polêmicos os quais tive oportunidade de cobrir para o LANCE!, sobre os quais podemos discorrer sobre o viés da personalidade dos indivíduos.

O primeiro caso aconteceu na cidade gaúcha de Veranópolis, mais precisamente com jogadores do clube homônimo. Cinco atletas decidiram reunir-se na casa do zagueiro Anderson Bill para jantar enquanto assistiam à estreia do Santos pela Libertadores, contra o paraguaio Deportivo Táchira.

Durante a noite, no entanto, o atacante Gilson e o meia Marcos Paraná começaram a discutir, agrediram-se e destruíram a casa do companheiro de equipe. O cúmulo da violência foi a utilização de uma faca por parte de Gilson para ameaçar Marcos, que, assustado, pulou da sacada do apartamento, fraturando duas costelas.



Moral da história: ambos tiveram seu contrato rescindido pelo Veranópolis, o escândalo tomou conta da pacata cidade do interior gaúcho e o presidente Gilberto Generosi (foto), a quem tive oportunidade de entrevistar por telefone, usou termos como "vergonha" e "situação desanimadora" para referir-se ao ocorrido, visto que, em uma cidade pequena, é fácil ter o nome manchado e a reputação destruída. No mesmo dia da rescisão com os dois, o técnico também deixou o clube, mas, de acordo com o presidente, nada tinha a ver com o fato em questão.

Contada a situação, fica a indagação: levando em conta que Marcos era peça-chave da equipe e Gilson vinha se firmando como titular, haveria motivo para jogar o sucesso que vinham fazendo - com a equipe classificada para as quartas-de-final do Campeonato Gaúcho - no lixo? Pois foi o que fizeram. Despedidos pela diretoria, os dois tiveram de sair da cidade, o que não sei se já fizeram. Quando pude entrevistar Marcos Paraná, também por telefone - ele relutou em falar sobre o caso -, ele disse estar recuperando-se em casa, fato que estranhei, para alguém que teria fraturado duas costelas tão recentemente.

Conseguiriam dois companheiros de time, apesar da boa fase que viviam, estragar, quem sabe, uma carreira em uma noite? Menos ainda, em um acesso de raiva? O presidente Generosi me contou que, embora Gilson fosse uma pessoa tranquila dentro e fora de campo, Marcos sempre foi explosivo, agitado. Para exemplificar, foi expulso em duas das quatro partidas que disputou.

Há quem diga que pode ter sido a pressão costumeira sob a qual vive um jogador de futebol. Outros poderiam supor que a causa foi o "stress do dia-a-dia", ou a "vida corrida que temos atualmente", graças ao comodismo de um puro lugar-comum.

Acho que, depois de um texto - talvez, desnecessariamente - tão longo, é melhor deixar o outro caso para um post mais adiante. No entanto, deixo uma pergunta: o quanto vale uma carreira em construção? Que valor deve ser atribuído a uma oportunidade recebida? Certamente, os dois atletas em questão deixaram uma chance de ouro - "menos, por favor", diriam uns - passar.

Para quem quiser detalhes das declarações de personagens desta matéria, acesse:

http://www.lancenet.com.br/minuto/Veranopolis-Campeonato_Gaucho_0_428957264.html